Live, uma poderosa ferramenta para ouvir o consumidor.

Há anos fui jantar em um restaurante francês. Ao terminar a refeição, meu amigo solicitou falar com a Chef. Após parabenizá-la pelos pratos, meu amigo, entendedor de culinárias refinadas, fez uma observação a respeito de uma de nossas escolhas. U-la-lá! Bastou tecer o mínimo reparo quanto à receita para sentirmos o clima mudar radicalmente. A Chef, tensa, cara de poucos amigos, esforçou-se para não nos mandar catar coquinho em outra freguesia. Saí de lá convicto que não voltaria mais. Meses depois o restaurante fechou, o motivo não sei, mas que a intransigência nos negócios custa caro, isso custa.

Empreendedores sabem como ninguém da impossibilidade de adotar todas as sugestões apresentadas. Há clientes que têm razão, outros, não. Porém, o refinamento de uma iniciativa só acontece quando olhos e ouvidos estão atentos para detectar os deslizes e potencializar as forças que levam uma marca a ser bem-sucedida. Esse exercício, contínuo e dedicado, é um dos ingredientes mais notáveis de empresas vitoriosas.

A pandemia certamente mudará, se é que já não mudou, a forma de operarmos e servirmos o nosso público. Mais: realinharmos os nossos negócios, adaptando-os, ou até recriando-os, para competirem em um mundo em transformação, portanto, relacionarmo-nos de forma transparente com nossos clientes é fundamental para nos ajudar a traçar rumos, adotar experiências, ousar e retomar plenamente as nossas atividades balizados por parâmetros, em muitos casos, absolutamente diferenciados.

Esteja aberto a ouvir

Nos últimos tempos, as lives viraram febre, uma ferramenta barata e eficaz de manter as marcas latentes na cabeça das pessoas. Pergunta, por que não usá-las como meio de pesquisa e inovação? Ao invés de recorrer a esse precioso instrumento para falar, por que não adotá-lo para escutar? Compreender o consumidor, que tem muito a contribuir para edificarmos maneiras inusitadas de levarmos bens e serviços ao mercado. Para mudarmos nossa postura perante as necessidades que surgem. Acima de tudo, aprimorarmos nossas ofertas, atendimento, mix, entre outros tantos fatores.

Criar um grupo de habitués dos nossos negócios e, tête-à-tête, pedir sugestões, críticas, deixar com que expressem suas vontades, pode ser um caminho interessante para filtrar as melhores ideias, aquelas que necessitamos para enfrentar esse tempo que nos desafia com uma grande interrogação.

Crie uma live, abra espaço para quem conhece as suas atividades e deseja contribuir com o seu progresso. Sem dúvida, um bate-papo franco tem muito a fazer em prol do seu desenvolvimento empresarial.


Fernando Brengel é sócio e Diretor de Criação da Presença Propaganda, um dos idealizadores do Projeto Apareça e Cresça, header do Empório Barilotto Bebidas & Sabores, palestrante e escritor.

Palestra de Antonio Carlos teixeira Álvares no MPI 2019: "Inovação Horizontal"

MPI 2019 – Insights da Palestra “Inovação Horizontal”.

Muito se fala sobre inovação, e do quanto é imprescindível que as empresas adotem uma postura inovadora. Porém, o que é REALMENTE inovar?

Em sua palestra no Congresso da Micro e Pequena Indústria – MPI 2019, Antonio Carlos Teixeira Álvares – vice-presidente do Conselho de Administração da Brasilata S.A. Embalagens Metálicas, diretor da FIESP e professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas -, define e desfaz, de forma bem didática, algumas confusões comuns no uso desse conceito.

Definição

Inovação é a nova ideia que foi implementada e obteve sucesso, deu resultado. Não há inovação fracassada.

Novas tecnologias não são sinônimo de inovação, embora essas duas palavras sejam usualmente associadas. Na verdade, a grande maioria das inovações não são tecnológicas. Há dois tipos de inovação:

  • as radicais, assim denominadas por apresentarem resultados excepcionais: geralmente criam uma nova indústria ou mudam a base de competição de uma indústria já existente. Exemplo: o novo estilo de cafeteria trazido pelo Starbucks;
  • as incrementais, aquelas que trazem pequenos resultados, mas são importantes porque valorizam e sedimentam o hábito da mudança. Estão presentes em todas as organizações, especialmente nas pequenas e médias.

Ao contrário do que muitos dizem, as inovações incrementais não competem nem desestimulam as inovações radicais. Elas são aliadas, e ambas precisam de uma cultura interna de inovação.

Comprometimento em todos os níveis

Podemos dizer que uma empresa tem um “cultura interna de inovação” quando esta começa pelo CEO e se infiltra por toda a organização, até o soldado mais raso. Todos devem ser responsáveis por promover a alimentar a geração de ideias. É preciso coragem, e isso é muito mais fácil de ser feito nas pequenas e médias empresas.

Resumido: inovar está ao alcance de todos, pois não necessariamente exige grandes investimentos. Por outro lado, requer muito comprometimento, e nem todas as empresas têm a coragem necessária para isso. Boas ideias podem ser simples e baratas, mas precisam de um terreno fértil para vicejar.

Inovação! Inovação! Inovação!

Inovação. Resolver algo complexo de forma simples.

Se fosse fácil inovar investiríamos mais tempo em criar soluções inusitadas do que em falar a respeito dessa árdua tarefa.

Inovação está ligada, entre outros fatores, à criatividade, ao pensar, ou seja, como resolver algo complexo de forma simples. O inventor do pregador de roupas é um gênio, concebeu um dispositivo modesto capaz de resolver um baita problema.

Não há fórmula para inovar, mas alguns aspectos podem ajudar. Repare nas pessoas, em sua dinâmica, qual produto ou serviço as satisfaria? Veja bem, inovar sem demanda é um tiro no pé, muita gente pode se interessar, mas não necessariamente comprar.

Outro caminho: modificar algo existente, de forma a fazê-lo mais eficiente, barato e desejável. O que é possível desenvolver para economizar tempo, ampliar o conforto e assim por diante? Estamos passando por profundas mudanças comportamentais, o que fazer para aproveitar essas oportunidades?

Em uma comunidade que sigo, um dos participantes postou necessitar de alguém que prepare refeições veganas. Já pensou em criar um delivery vegano? Funciona? Terá público? Enfim, ter ideias é ótimo, a questão é estudar a sua viabilidade. E inovar sempre.

by Fernando Brengel